Sobre a peça:
Outro País nasce do risco.
Do que não se sustenta.
Da dúvida como território possível.
Do que não se sustenta.
Da dúvida como território possível.
É um lugar em suspensão — um alhures inacabado — onde expatriadas se encontram, fugitivas descansam, e o fracasso de construir limites seguros não é ocultado, mas assumido. Aqui, o medo, o invisível e o incompreensível atravessam a experiência humana como matéria viva da cena.
A encenação se constrói na fricção entre teatro e música. Microfones, instrumentos, pedestais: o espaço se organiza como um show que nunca se resolve inteiramente. Sons, palavras e corpos coexistem sem hierarquia fixa. Personagem, tempo, lugar e discurso estão sempre em deslocamento — instáveis, porosos, em estado de revisão contínua.
Textos se acumulam, se interrompem, se respondem. Tentam dizer o indizível:
o que é estar em outro país?
o que é sonhar um outro país?
quem é estrangeiro — e para quem?
onde começa, afinal, o outro lugar?
o que é estar em outro país?
o que é sonhar um outro país?
quem é estrangeiro — e para quem?
onde começa, afinal, o outro lugar?
A pesquisa que dá origem ao espetáculo emerge do desejo de aprofundar as relações entre dramaturgia e musicalidade na cena contemporânea, dialogando diretamente com o processo criativo do diretor carioca Felipe Hirsch no espetáculo "A tragédia e comédia latino-americana", experiência da qual a diretora estreante Nataly Rocha participou como atriz e que reverbera aqui como método, inquietação e gesto.
A dramaturgia se organiza em três movimentos independentes — terra, trabalho, corpo — como forças que estruturam e desestabilizam o pertencimento. Nesses eixos, emergem questões sobre identidade, território, liberdade, amor e poder, não como respostas, mas como tensão permanente.
A musicalidade atravessa a cena como linguagem e gesto político. A palavra é ritmo, o som é discurso, o corpo é arquivo. A encenação se faz entre cortes, camadas e sobreposições, refletindo um continente marcado por contradições, deslocamentos e afetos em disputa.
Outro País é um exercício coletivo. Um trabalho construído majoritariamente por mulheres trabalhadoras da cultura, cujas diferenças de formação e experiência se tornam força criativa. O espetáculo se afirma como processo, encontro e travessia — um território provisório onde estar, ainda que por instantes, é já um gesto de resistência.
Foto: Marília Oliveira
Foto: Marília Oliveira
Foto: Marília Oliveira
Foto: Marília Oliveira
Foto: Marília Oliveira
Foto: Marília Oliveira
Foto: Marília Oliveira
Foto: Marília Oliveira
Foto: Marília Oliveira
Cartaz Oficial "Outro País". Design de Darwin Marinho e Eduardo Barrosa.
FICHA TÉCNICA
Direção
Nataly Rocha
Elenco
Clau Aniz
Diego Landim
Irene Bandeira
Loreta Dialla
Naiara Lopes
Natália Coehl
Noá Bonoba
Renato Coelho
Samara Garcia
Vivi Rocha
Diego Landim
Irene Bandeira
Loreta Dialla
Naiara Lopes
Natália Coehl
Noá Bonoba
Renato Coelho
Samara Garcia
Vivi Rocha
Pesquisa dramatúrgica
Marília Oliveira e Nataly Rocha
Iluminação
Lucas Madi
Técnica de som
Naiara Lopes
Figurino
Arara
Assistente de figurino
Lécio Miranda
Arte Gráfica
Darwin Marinho e Eduardo Barrosa
Produção
Nataly Rocha
Fotos
Marília Oliveira